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Vinho na forma primitiva, natural, a fusão do humano com o vegetal, um retorno que assusta, até autoridades.

Rogerio Dardeau, o homem dos vinhos brasileiros, traz uma edição especial. Especial não só pelo tema abordado, mas pelo que é abordado. Tudo na vida pode ocorrer naturalmente. Mas isso requer muita tranquilidade, paciência, dedicação exclusiva, coisas que não convivem muito bem com a velocidade da sociedade contemporânea. A química é natural, está na natureza, mas queremos acelerá-la. Contra esse estado de coisas aparece Eduardo Zenker, um idealista, um estudioso das origens. Onde está o mal em alguém querer morar numa caverna? Sim, o mundo atual determina que o terreno é sempre da Nação e, ocupar, tem que ter formalidades. Zenker não quer ser ermitão, tampouco se tornar um primitivo. Quer fazer vinhos. Para fazer um vinho é preciso ter que aceitar os sulfitos, aplicar os anidridos e outras palavras sem sabor? Para os órgãos de saúde sim, mas os que entendem de História, de botânica de fusões e fermentações que a Natureza criou, sabem que não e que, em algum lugar dessa História um humano usou, ousou e fez. Parece-nos que ser certo, algo tão subjetivo e de regras, é ser anti normativo ao modo tão simples que é viver. É bem mais fácil fazer o muito que gere ainda mais para satisfazer cofres, do que estudar e entender o que é ser natural. Se fazer cerveja de forma domestica é possível, cachaça, bem como qualquer destilado e em qualquer parte do mundo é permitido, então que se permita que alguém faça um vinho como nossos ancestrais faziam em regiões gaulesas, germânicas, romanas, gregas e sei lá mais onde nesse mundo. Já que há restrições para comercializar, então que se estudem meios e modos de fazer uma subsistência de resistência e de opção, principalmente. Se gostos se confrontarem, que sejam apenas gostos. Pesticidas precisam ser tão naturais como as tais pestes da natureza, relatadas até na Bíblia, onde vemos que o mundo não acabou, que muitos se embebedaram no passado sem terem seus fígados destruídos por conservantes e sobreviveram a ponto de criarem uma divindade pra homenagear o vinho. Se houve ou não, deixemos para uma sobriedade que entrará sempre para história de cada um de nós. Vamos deixar o Eduardo Zenker entupir suas ânforas, contemplar borbulhas de fermentação em paz. Tem que ter regras? Imposições comerciais? Que sejam criadas e adequadas, respeitando-se o porte dos criadores, que permanentemente nos trazem inovações e novos prazeres. Um brinde ao natural, que possamos beber desses vinhos despidos de preconceitos e, quem sabe, roupas, sem frio é claro.


Escrito por: Leonardo Meireles

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